Categorias
Opinião RH

Comunicação interna não é distribuir informação, é criar entendimento partilhado

Comunicar bem tem de reduzir a quantidade de especulação dentro de uma organização. Isto parece muito mais simples do que realmente é. O próprio silêncio dos outros não significa concordância, nem sequer significa que a mensagem foi bem recebida.

Em algumas comunicações internas que fiz, tenho a certeza de que todos ouviram bem o que disse, mas ficou muito claro para mim que ninguém percebeu o que eu queria dizer. E, quando isso acontece, o problema não é dos outros, é meu. Fui eu que ignorei os vários elementos da comunicação que todos aprendemos na escola: emissor, recetor, mensagem, canal, código, contexto e feedback. Na prática, é muito fácil esquecer essa teoria básica.

Tudo o que fazemos comunica. Até o nosso silêncio diz muito a quem nos rodeia. E até termos o feedback final, não sabemos o que realmente passou de tudo o que julgámos ter comunicado.

A fotografia ajuda-me a pensar nisto.

Gosto de fotografar retratos e, nesses casos, sou apenas um intermediário entre a pessoa fotografada, que conta uma história, e quem mais tarde a vai interpretar. O meu trabalho é tratar do canal, do ruído e da linguagem, para afastar tudo o que não interessa do essencial e escolher o momento que melhor conta essa história.

Mesmo assim, quem vê uma fotografia vai interpretá-la à sua maneira e não necessariamente da forma como eu ou a pessoa fotografada imaginámos.

Por isso, uma boa fotografia conta uma boa história, que pode ser apenas uma de muitas interpretações possíveis. Tal como a imagem que ilustra este artigo: afinal, o pai está a gritar ou a passar amor à sua filha?

Na fotografia, deixar espaço para a interpretação do recetor faz sentido. Já num ambiente corporativo, não. Se a comunicação não gerar entendimento, falhou o seu principal objetivo e a ambiguidade pode sair muito cara.

A verdade é que o entendimento partilhado também não significa concordância. As opiniões diversas são fundamentais para encontrarmos melhores soluções. Não precisamos de sair todos da conversa com a mesma opinião; precisamos, sim, de compreender os factos, as decisões, as prioridades e o objetivo.

Uma das situações mais difíceis de comunicar é dar más notícias ou feedback negativo. Sentimos que estamos a estragar uma relação, que o outro vai gostar menos de nós ou perder motivação. Daí terem surgido as técnicas de sandwich: tentamos envolver a mensagem até ela quase desaparecer. A comunicação corre bem, nós ficamos aliviados e ninguém percebeu muito bem a gravidade do que queríamos dizer. É apenas uma forma educada de adiar o problema.

Se, por outro lado, queremos investir em relações de longo prazo, a honestidade tem mais valor do que o conforto momentâneo de esconder o negativo.

Como gestores de pessoas, criticamos as nossas equipas por não falarem, não questionarem, não criticarem, não darem ideias e, sobretudo, por não serem sinceras. Mas, quando o são, como reagimos? Com curiosidade ou com indignação? Queremos mesmo pessoas que digam o que pensam ou preferimos quem pense cuidadosamente no que queremos ouvir? Não existe entendimento partilhado quando esclarecer, discordar ou corrigir uma mensagem tem um custo pessoal.

Em muitas situações, o canal somos nós. Se estamos a falar para a equipa, o canal não é o Teams, o email ou a keynote. A nossa linguagem corporal, o tom, as palavras que usamos e a forma como respondemos às perguntas influenciam a forma como o conteúdo chega a quem nos ouve.

Todos os gestores comunicam pelo que dizem, pelo que repetem, pelo que ignoram e pelo silêncio. Mas a forma mais ruidosa e eficaz de comunicar continua a ser aquilo que fazem.

Comunicar bem também é limpar o que não interessa. Eu começo sempre estes artigos como se estivesse a escrever um livro e depois vou reduzindo até ficar o essencial da mensagem que pretendo passar. Na comunicação interna, deve ser feito o mesmo. Temos muito mais informação do que atenção disponível e, quando adicionamos tudo à comunicação, as ideias anulam-se e o essencial dilui-se.

Uma equipa ou organização madura não é aquela com múltiplos canais de comunicação e informação sempre a circular. É aquela onde as pessoas não têm de especular para saber a opinião dos colegas, dos líderes ou da direção da organização.

E isto liga-se diretamente à autonomia, porque autonomia sem contexto não serve ninguém. É apenas um exercício de adivinhação que acaba, invariavelmente, numa quebra de expetativas. Quanto mais autonomia queremos dar, mais contexto temos de fornecer: o que queremos que aconteça, quais os limites de atuação e o que poderia ser feito melhor.

Quando existe entendimento partilhado, as decisões são mais rápidas, diminuem os rumores, a discordância torna-se útil e a energia é aplicada no trabalho, não na interpretação de mensagens.

Se depois de comunicarmos as pessoas continuam a tentar adivinhar o essencial, então a comunicação falhou. Como na fotografia, deixámos demasiado espaço para que cada pessoa veja a sua própria história.

Comunicação interna não é garantir que todos receberam a mesma mensagem. É garantir que as pessoas têm contexto suficiente para interpretar e especular menos, e agir melhor. Se ainda está a adivinhar, é porque ainda não comunicámos.

by Bernardo Teixeira da Mota

COO @Olisipo

Categorias
RH

Síndrome pós-férias? 5 estratégias para regressar ao trabalho

O regresso ao trabalho depois de um período de férias pode representar um momento de adaptação às rotinas profissionais, sobretudo após várias semanas de pausa. Recuperar horários, voltar à dinâmica das equipas e reorganizar prioridades são alguns dos desafios que podem marcar os primeiros dias de regresso.

A Olisipo, empresa portuguesa especializada no setor de recrutamento, outsourcing e formação na área das tecnologias de informação, identifica cinco estratégias que podem contribuir para um regresso ao trabalho mais equilibrado, conciliando bem-estar, organização e desempenho profissional.

1 | Fazer um ponto de situação

Antes de retomar todos os temas pendentes, é importante perceber o que aconteceu durante a ausência e distinguir o que é urgente do que pode esperar. Uma forma simples de organizar o regresso passa por reunir as principais tarefas numa única lista e classificá-las por prioridade e prazo. Desta forma, é possível ter uma visão global do trabalho a desenvolver e evitar começar a responder indiscriminadamente a todas as solicitações.

2 | Retomar o ritmo de forma gradual

Após um período de descanso, é natural que o ritmo de trabalho não seja imediatamente igual ao que existia antes das férias. Para facilitar a readaptação, pode ser útil distribuir as tarefas pendentes pelos primeiros dias, estabelecendo um ritmo de trabalho realista e evitando concentrar todo o trabalho acumulado num único momento. Evitar reuniões consecutivas e demasiadas tarefas no mesmo dia pode também criar espaço para recuperar a rotina.

3 | Reativar a ligação com a equipa

O regresso ao trabalho envolve também recuperar a dinâmica de colaboração com os colegas. Nos primeiros dias, reservar alguns minutos para conversas individuais ou uma breve reunião de equipa pode ajudar a perceber as principais novidades, esclarecer alterações e alinhar expetativas. Mais do que recuperar informação, estes momentos permitem retomar a proximidade e o sentido de pertença à equipa.

4 | Reavaliar objetivos e expetativas

Depois de reorganizar as tarefas mais imediatas, o regresso pode ser uma boa altura para olhar para os objetivos dos meses seguintes. Rever as metas definidas anteriormente e escolher duas ou três prioridades para o período seguinte ajuda a transformar objetivos mais abrangentes em momentos de trabalho concretos. Esta reflexão permite ainda perceber se existem novas necessidades ou projetos que justifiquem um ajustamento de expetativas.

5 | Preservar hábitos positivos das férias

O equilíbrio alcançado durante as férias não deve desaparecer por completo com o regresso ao trabalho. Uma forma de o fazer é identificar os hábitos que contribuíram para o descanso, como praticar exercício ou passar mais tempo ao ar livre, e procurar mantê-los na rotina semanal. Pequenos períodos de desconexão ao longo da semana podem ajudar a manter uma relação mais equilibrada com o trabalho.

“O regresso ao trabalho depois de um período de férias deve ser encarado como uma fase de readaptação. É natural que os primeiros dias exijam algum tempo para reorganizar prioridades, recuperar rotinas e voltar a entrar na dinâmica das equipas. Para as organizações, criar condições para que este processo aconteça de forma mais equilibrada pode contribuir para um regresso mais positivo e para uma relação mais sustentável com o trabalho.”

Paula Peixoto, Diretora de People and Culture da Olisipo
Categorias
Formação Inovação

Seis áreas de formação tecnológica para investir na sua carreira

A rápida evolução tecnológica está a transformar as competências mais valorizadas pelas empresas. Se durante muitos anos a aposta na formação procurava acompanhar uma profissão específica, hoje o desafio passa por desenvolver capacidades que permitam aos profissionais adaptar-se a um mercado em constante mudança.

A Olisipo, empresa portuguesa especializada no setor de recrutamento, outsourcing e formação na área das tecnologias de informação, identifica seis áreas de formação tecnológica que representam uma oportunidade de carreira para diversos profissionais.

1 | Inteligência Artificial (IA)

A IA tem cada vez mais um papel estratégico na criação de soluções digitais. Por isso, mais do que utilizar plataformas de inteligência artificial generativa, os profissionais são hoje chamados a compreender como desenhar processos, automatizar tarefas e desenvolver soluções que integrem esta tecnologia. Competências como AI Engineering, Prompt Engineering ou AI Product Management começam a ganhar mais relevância.

2 | Cibersegurança

Num contexto de aumento das ameaças digitais, a cibersegurança tornou-se uma prioridade para organizações de todos os setores. Para além dos conhecimentos técnicos tradicionais, cresce a procura por conhecimentos em áreas como cloud security, governança, gestão de risco e proteção de dados, acompanhando a evolução das exigências regulamentares.

3 | Data analytics e data science

As organizações produzem diariamente grandes volumes de informação, mas o desafio está em transformar esses dados em conhecimento útil para apoiar decisões. Por isso, competências relacionadas com análise de dados, visualização de informação, machine learning ou estatística aplicada continuam a assumir um papel estratégico.

4 | Cloud computing

A migração de infraestruturas, aplicações e serviços para a cloud continua a acelerar, aumentando a necessidade de existirem profissionais capazes de desenhar arquiteturas, garantir a segurança da informação e otimizar recursos. Atualmente, esta é uma das áreas tecnológicas com maior procura e melhores perspetivas de empregabilidade.

5 | Desenvolvimento de software e automação

O desenvolvimento de software continua a ser uma capacidade essencial, mas o perfil do programador evoluiu. Para além da programação básica, é fundamental dominar metodologias de automação, integração contínua, DevOps e ferramentas que permitam desenvolver soluções mais eficientes e colaborativas.

6 | Competências humanas

Muitas tarefas técnicas tendem a ser automatizadas, por isso, competências como pensamento crítico, comunicação, liderança e resolução de problemas assumem um papel diferenciador. São estas capacidades que permitem aos profissionais interpretar contextos, tomar decisões e colaborar de forma eficaz em equipas multidisciplinares.

“Durante muitos anos, a principal preocupação dos profissionais era escolher a profissão certa, mas hoje é preciso pensar nas competências que devemos desenvolver, ao longo do tempo, para continuarmos relevantes no mercado. A aprendizagem contínua tornou-se, assim, um dos principais fatores de empregabilidade com a capacidade de adaptação a ser cada vez mais determinante.”

José Ninhos, Head of Learning da Olisipo